26 outubro 2008

...I'll come driving fast as wheels can turn!

Passava da meia noite e meia quando saí do meu posto favorito para refeições leves, na esquina da Av. Santos Dumont com Rua Coronel Jucá, quando avistamos um carro estilo Hilux, cheio de balões presos à sua caçamba.

O irreverente foi que, misteriosamente, tal carro - que havia sido avistado numa direção contrária, lá em frente à Balu, na esquina da Rua Coronel Jucá com a Av. Padre Antônio Tomaz, apareceu a minha frente enquanto dobrava à direita na Av. Engenheiro Santana Junior, saindo da Av. Antônio Sales... E então os balões que estavam presos começaram a se desprender e vir na minha direção!

Ora mais... Não vacilei! Comecei a tentar atropelar os obstáculos (os balões, no caso, para não deixar dúvidas), e a minha namorada teve uma crise de riso no carro quando eu pronunciei, "Meu Deus! Estou jogando Live Mario Kart!"

Depois da curva do Iguatemi, partimos em rumos diferentes. A grande dúvida foi saber se o referido automóvel conseguiu transportar ao menos um balão "vivo" até seu destino...

04 outubro 2008

Heaven knows, it's got to be this time...

É difícil até acreditar que, pela primeira vez na minha vida, um namoro esteja durando quatro meses e nutrido de um sentimento tão forte... Tudo bem que houve percalços que quase não me permitem fazer esta declaração. É nas dificuldades que nos tornamos mais fortes - isso é clichê, mas clichês não deixam de ser verdades somente pela obviedade de suas circunstâncias.

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Inscrevi-me para a seleção do Mestrado em Direito da UFC. Sempre relutei: (i) pelo idealismo, ao acreditar que seria mais útil iniciar estudos avançados diretamente nas áreas de minha predileção, como se toda a minha vida pudesse me levar à USP ou UFMG ou qualquer canto desses, com a facilidade de quem quer comer pão e vai à padaria da esquina; (ii) pela "peixada", mas não porque seria difícil fazer parte, e sim porque nunca quis ser cúmplice dela, e ; (iii) pela evidente falta de prioridade e de dedicação necessárias a um projeto dessa envergadura.

Os passos da minha caminhada são absolutamente errantes. Durante o tempo da graduação, frequentei e cursei cadeiras da Medicina, tendo certeza de que aquela paixão poderia ser dissociada da vocação; terminei a graduação e fui à Física, como se fosse adequado fazer uma graduação em ciências exatas sem o suporte indispensável da matemática; resolvi, então, relaxar os estresses de minha vida e fazer Filosofia, mas as greves incessantes da UECE e a burrice inerente de parcela dos meus pares foram cruciais ao me fazer abortar tal missão; aí veio a Engenharia Química e o ledo engano de que um curso tecnológico de ponta poderia ser conciliado com os afazeres regualres de quem precisa "ganhar a vida".

O fato é que certo está o pensamento - cuja autoria me foge - de que para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho pode ser o ideal. Está claro que sei muito bem dar os primeiros passos, mas quase nunca concluir a caminhada, então. É nessas horas que New Order me fazem a melhor companhia:

Up, down, turn around, please don't let me hit the ground
Tonight I think I'll walk alone, I'll find myself as I go home...

07 setembro 2008

Everyone can see the loneliness inside of me...

A ignorância é a grande dádiva da humanidade.

É ela quem permite a felicidade de viver um vida inútil e sem sentido, tendo prazeres cada vez maiores com isso. De se satisfazer com mesquinharias, exaltando-as. Até mesmo o preconceito, o ódio e a ganância - as forças motrizes das piores guerras já realizadas.

A ignorância é quem permite a vida em sociedade, ocultando o fato de que, ao mesmo tempo, a repulsa em níveis inconcebíveis.

Por outro lado, quanto mais se busca o conhecimento, mais se isola e se afasta da maior parte das pessoas. A genialidade (ou a curiosidade extrema) é a chave para a solidão. Quanto mais se mergulha nisso, mais se experimenta o conceito de "ad aeternum". E os piores gênios são aqueles que fomentam a ignorância das massas em benefício próprio. "Pão e circo" é uma expressão tão antiga quanto os grandes impérios da História conhecida.

A sede de conhecimento em mim sempre foi maior do que qualquer outro desejo supérfluo. Passei por quatro faculdades e engrandeci a minha visão sobre o mundo por aspectos completamente diferentes. Seja nas Humanidades, nas Ciências ou na Tecnologia. Nenhum tempo foi perdido na mesma proporção em que desperdicei mais do que poderia. Sempre busquei viver a minha vida, e não aquela que os outros queriam para mim...

Eu sou o gênio na busca incessante pela ignorância.
Eu sou o ateu que louva Deus todos os dias.
Eu sou a cura não revelada par a doença chamada viver,
o trecho único da viagem para onde nunca se quer ir.

14 julho 2008

[enjoy the silence...]

Em nossas vidas, há momentos de dores muito profundas. Já perdi entes queridos e amigos, mas isso é absolutamente inevitável. Já perdi amores, mas superei as necessárias tristezas com o tempo.

Hoje foi o dia de uma dessas dores profundas. Poderia ter sido o dia de perda de gente querida, de amores. Isso por conta de uma atitude insignificante, de coisas irrisórias. Então, no meio do desespero, fui forçado a procurar conforto num canto que sempre me fez o maior bem na vida e que há tempos não visitava: meu velho dojo de aikido. Fui muitíssimo bem recebido por meu velho e querido sensei, e então percebi que o canto que eu procurava, na verdade, também era outro lugar que não visitava há muito tempo: o vazio dentro de mim.

Meditei. Muito tempo se passou. Éramos apenas eu e meus pensamentos. Então concluí que dor profunda sente quem perdeu um filho e passará o resto da vida sem a sua alegria. Sente tal dor quem nunca pode enxergar e ver um por-do-sol no oceano distante. Quem já pode ouvir as mais belas canções e já não as escutas mais. Quem não pode correr para abraçar a pessoa querida.

Não poder é muito diferente de não querer.

E concluí que não posso querer fazer uma pessoa feliz, desejar o bem, cuidar e ter carinho, fazer as melhores coisas do mundo se não fizer primeiro isso tudo por mim. Porque hoje tive certeza de que é possível atingir - mesmo indiretamente - as pessoas de quem mais gostamos com simples gestos de descuido nossos, excessos desnecessários e evitáveis. Só é possível deliberarmos sobre nossas próprias vidas, e não sobre as dos outros.

Hoje entrei em casa, abri a última Heineken da geladeira e a derramei na pia. A partir de hoje, não bebo mais. Nunca mais! E este não é um drama idiota: é a minha nova vida, para o meu próprio bem, para sempre.